Houve um tempo
Em que cortava
As unhas
E jogava os pedacinhos
Dentro dos jarros das
Plantas da varanda.
Algumas cresceram
Próximas à minha alma.
Quando o céu desabava
E a tristeza consumia
Meus olhos
Murchavam
As folhas.
Nos dias de histeria alucinógena
Pintavam os cabelos as plantas
De amarelo e verde.
A minha solidão definitiva
Ocorreu com a chegada
Dos pombos.
Armados de malícia
Flertaram e conquistaram
O coração das minhas plantinhas.
A partir dessa dor de cotovelo
Resolvi virar noites em bares.
Postos de gasolina,
Becos, barracos,
Pracinhas.
Nunca mais fui o mesmo
Amante de poesia.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Ioga Bikram
Tenho um problema sério na coluna
E vivo me abaixando pra colher
As folhinhas de oiti
Espalhadas
Pela casa.
(Tenho medo
Que minha mãe
Escorregue)
Escrever poemas
Endireita minha postura
E apaga maus pensamentos.
Sobretudo
Com a xícara
De café na mão.
E vivo me abaixando pra colher
As folhinhas de oiti
Espalhadas
Pela casa.
(Tenho medo
Que minha mãe
Escorregue)
Escrever poemas
Endireita minha postura
E apaga maus pensamentos.
Sobretudo
Com a xícara
De café na mão.
Bar Nirvana
Quando penso
Que na juventude
Quis ser um Buda
E depois me apaixonei
Por Charles Bukowski
Não me admira
Os passarinhos
Seguirem meus
Pensamentos.
Os pequenos sabem
Que os céus são
Tenebrosos.
A cada passo
Uma ratoeira.
Que na juventude
Quis ser um Buda
E depois me apaixonei
Por Charles Bukowski
Não me admira
Os passarinhos
Seguirem meus
Pensamentos.
Os pequenos sabem
Que os céus são
Tenebrosos.
A cada passo
Uma ratoeira.
Convalescença
Que pena não morri.
Cheguei perto do inferno.
Não vi nenhum tocador de blues.
Cheguei perto do inferno.
Não vi nenhum tocador de blues.
Esses caras vivem nas nuvens
De fumaças e muita solidão.
De fumaças e muita solidão.
O inferno é um lugar
Pra barbárie feliz.
Pra barbárie feliz.
Que pena não morri.
Voltei pra minha xícara.
Voltei pra minha xícara.
Só não tive ainda coragem
De ver as plantinhas da varanda.
De ver as plantinhas da varanda.
Nem chego perto
Da janela.
Da janela.
A rua é linda
E anjos usam
E anjos usam
Trombetas e cítaras
Pra me conquistar.
Pra me conquistar.
Sei o que brilha
Por trás dos sons.
Por trás dos sons.
Deixei o meu filho
Ontem no ponto
De ônibus
Ontem no ponto
De ônibus
E quase
Não voltei
Para casa.
Não voltei
Para casa.
A rua é muito sensual.
Superlua
As mulheres mais incríveis desse planeta
Dormem comigo, acordam comigo,
Passeiam comigo.
À noite,
Toco clarinete
Em uma banda de jazz
Enquanto as mulheres
Mais incríveis desse planeta
Bebem seus drinques vestidas
De vermelho e batom da mesma cor.
De manhãzinha,
Caminhamos pra casa
Sob uma garoa gelada.
Woody Allen nos oferece
Uma carona até nosso galpão
De mercado do século dezenove.
Faço um café.
As minhas mulheres
Mais incríveis desse planeta
Despem-se (ouço o zíper da parte detrás
Do vestido descendo até a vértebra do pecado)
Preciso ir vê-las.
Não perco por nada
Esse momento mágico.
Dormem comigo, acordam comigo,
Passeiam comigo.
À noite,
Toco clarinete
Em uma banda de jazz
Enquanto as mulheres
Mais incríveis desse planeta
Bebem seus drinques vestidas
De vermelho e batom da mesma cor.
De manhãzinha,
Caminhamos pra casa
Sob uma garoa gelada.
Woody Allen nos oferece
Uma carona até nosso galpão
De mercado do século dezenove.
Faço um café.
As minhas mulheres
Mais incríveis desse planeta
Despem-se (ouço o zíper da parte detrás
Do vestido descendo até a vértebra do pecado)
Preciso ir vê-las.
Não perco por nada
Esse momento mágico.
domingo, 16 de outubro de 2016
Bula
A poesia é uma doença silenciosa,
Mas não é um mal. Os seus sintomas
Inicias podem ser: calafrios, tremores,
Histeria, apatia, olhos fundos, lábios frios,
Formigamento nos pés, tontura, raiva e doçura.
Não tem cura.
A única forma
De tratamento
É a escrita.
Há quem acometido
Viva muito tempo.
86 anos
É um luxo.
55 é a média.
Pode comprometer
A visão, o olfato
E o modo de
Caminhar.
Muitos voam.
Outros rastejam;
Todos são trôpegos.
Quem sofre dessa doença silenciosa
Naturalmente e com frequência
Remete-se à sua infância
E tem mania
De sonhar.
Embora viva o momento presente
Sob névoas de esquecimento e febre.
Tem muita febre
Quem é acometido
Dessa doença silenciosa.
Que não é um mal.
Nem tem cura.
Aconselha-se ouvir
O coração e não brincar
Com drogas desconhecidas.
Ou não.
Cada caso
É estranho.
Só o tempo
Dirá o nível
De degradação.
Medo, fuga, vontade de chorar,
Isolacionismo, melancolia, tesão,
Ocorrem após instalado o verme.
Recomenda-se
Mergulhar.
Máscaras é bom
Perdê-las e aceitar
A morte da consciência.
Lucidez é o seu sintoma principal.
Há quem pense que é insanidade.
Quem é acometido dessa doença silenciosa
Pensa que é um louco ou coisa que o valha.
Já é efeito
No sangue.
.
Mas não é um mal. Os seus sintomas
Inicias podem ser: calafrios, tremores,
Histeria, apatia, olhos fundos, lábios frios,
Formigamento nos pés, tontura, raiva e doçura.
Não tem cura.
A única forma
De tratamento
É a escrita.
Há quem acometido
Viva muito tempo.
86 anos
É um luxo.
55 é a média.
Pode comprometer
A visão, o olfato
E o modo de
Caminhar.
Muitos voam.
Outros rastejam;
Todos são trôpegos.
Quem sofre dessa doença silenciosa
Naturalmente e com frequência
Remete-se à sua infância
E tem mania
De sonhar.
Embora viva o momento presente
Sob névoas de esquecimento e febre.
Tem muita febre
Quem é acometido
Dessa doença silenciosa.
Que não é um mal.
Nem tem cura.
Aconselha-se ouvir
O coração e não brincar
Com drogas desconhecidas.
Ou não.
Cada caso
É estranho.
Só o tempo
Dirá o nível
De degradação.
Medo, fuga, vontade de chorar,
Isolacionismo, melancolia, tesão,
Ocorrem após instalado o verme.
Recomenda-se
Mergulhar.
Máscaras é bom
Perdê-las e aceitar
A morte da consciência.
Lucidez é o seu sintoma principal.
Há quem pense que é insanidade.
Quem é acometido dessa doença silenciosa
Pensa que é um louco ou coisa que o valha.
Já é efeito
No sangue.
.
Fotografia
Outro dia fiz
Um nu artístico
De uma andorinha
Solta no galho de oiti.
Peguei de surpresa
A criaturinha do céu.
Estava grávida
De um pardal.
Sim, meu doce,
Os passarinhos
Não se importam
Com espécie
E família.
Só querem
Amar.
Um nu artístico
De uma andorinha
Solta no galho de oiti.
Peguei de surpresa
A criaturinha do céu.
Estava grávida
De um pardal.
Sim, meu doce,
Os passarinhos
Não se importam
Com espécie
E família.
Só querem
Amar.
Visita Desconhecida
A minha mão direita
Quando coça
Quando coça
É sinal de outro poema
Queimando as velas
Do navio fantasma.
Queimando as velas
Do navio fantasma.
Capitão, ó meu capitão,
Vamos bater nas nuvens!
Vamos bater nas nuvens!
Puxe
Os cílios.
Os cílios.
Visita Desconhecida
A minha mão direita
Quando coça
Quando coça
É sinal de outro poema
Queimando as velas
Do navio fantasma.
Queimando as velas
Do navio fantasma.
Capitão, ó meu capitão,
Vamos bater nas nuvens!
Vamos bater nas nuvens!
Dominical
Você abre os olhos
E quase cega
Do céu tão
Azul
E das folhas de oiti
Batendo na janela.
Você acomoda
As pernas no sofá
Enquanto o seu filho
Deleita-se largadão
Na sua cama.
Você sorri
E jura em
Silêncio
Que não
Morrerá
De novo.
E quase cega
Do céu tão
Azul
E das folhas de oiti
Batendo na janela.
Você acomoda
As pernas no sofá
Enquanto o seu filho
Deleita-se largadão
Na sua cama.
Você sorri
E jura em
Silêncio
Que não
Morrerá
De novo.
Suave Na Nave
Com o que você quiser
Concordo contigo, amor.
Concordo contigo, amor.
Canalha?
Sim, canalha.
Frio e egoísta?
Evidentemente.
Sim, canalha.
Frio e egoísta?
Evidentemente.
Louco?
Louco.
Cínico?
Claro.
Louco.
Cínico?
Claro.
Diga,
Amor,
Amor,
E assino
Embaixo.
Embaixo.
Não precisa
Queimar meus
Últimos poemas.
Queimar meus
Últimos poemas.
Nem jogar
Contra a parede
Minha xícara branca.
Contra a parede
Minha xícara branca.
Você não imagina
Como dói juntar
Os cacos
Como dói juntar
Os cacos
De uma xícara antiga de café.
sábado, 15 de outubro de 2016
Hélia
Do meu tempo de escola
Só me lembro da minha
Professora de Inglês:
Estalava a língua
Entre os lábios
E me pedia
Pra repetir
Mil vezes
A mesma
Palavra.
Não conseguia
Mover meus olhos
Da sua camisa branca
Transparente e sensual.
De bordado
Hippie.
Só me lembro da minha
Professora de Inglês:
Estalava a língua
Entre os lábios
E me pedia
Pra repetir
Mil vezes
A mesma
Palavra.
Não conseguia
Mover meus olhos
Da sua camisa branca
Transparente e sensual.
De bordado
Hippie.
Combate De Gafanhotos
Não será fácil
Encher a mão
De ouro
E não seguir
O caminho
Da treva.
Um prisioneiro
Ama suas baratas
Enquanto o sol lá fora
Queima seus pássaros.
Encher a mão
De ouro
E não seguir
O caminho
Da treva.
Um prisioneiro
Ama suas baratas
Enquanto o sol lá fora
Queima seus pássaros.
Uma Eternidade De Blues
Morte?
Não conheço.
Estamos brigados.
E só nos veremos
No dia em que
Não for mais
O poeta
Filho da
Palavra.
Não conheço.
Estamos brigados.
E só nos veremos
No dia em que
Não for mais
O poeta
Filho da
Palavra.
Cozinha
Depois que minha cafeteira pifou
E faço café em uma artesanal
De alumínio
Os meus dedos
Ainda reconhecem
A textura do silêncio.
A poesia tem uma relação
Tão íntima com os objetos.
Com o tempo
Muda o meu olhar
E o amor passa
Por outros ângulos
De ternura e espanto.
E faço café em uma artesanal
De alumínio
Os meus dedos
Ainda reconhecem
A textura do silêncio.
A poesia tem uma relação
Tão íntima com os objetos.
Com o tempo
Muda o meu olhar
E o amor passa
Por outros ângulos
De ternura e espanto.
Vale Das Cerejeiras
Você não me conhece.
É bom parar de acender velas.
Já morri
E o tombo
Foi tão triste.
Não pensei em lhe contar,
Mas minhas formiguinhas
Abandonaram-me:
Ultimamente
Bebo o meu café
Sem as suas patinhas.
É bom parar de acender velas.
Já morri
E o tombo
Foi tão triste.
Não pensei em lhe contar,
Mas minhas formiguinhas
Abandonaram-me:
Ultimamente
Bebo o meu café
Sem as suas patinhas.
Amor
As dobras das tuas axilas
Eram o meu ponto fraco.
Quantas vezes, meu bem,
Morri asfixiado em teu
Perfume de lavanda.
Os meus melhores sonhos
Aconteceram debaixo
Das tuas asas.
Tremia de febre
E não queria
Voar.
Eram o meu ponto fraco.
Quantas vezes, meu bem,
Morri asfixiado em teu
Perfume de lavanda.
Os meus melhores sonhos
Aconteceram debaixo
Das tuas asas.
Tremia de febre
E não queria
Voar.
Homens Diáfanos São Patéticos
De tanto expulsar
Os meus demônios
Sobrou apenas
Uma folhinha
De oiti
No meio
Da sala.
Os meus demônios
Sobrou apenas
Uma folhinha
De oiti
No meio
Da sala.
Exílio
O poeta quem fez merda.
Haverá de ter muita honradez
Para comê-la antes que nasçam
Cogumelos e o louco se sinta feliz.
Apesar de ser adorado por passarinhos,
O poeta foi um rato e viveu como
Viviam os ratos:
Focinho frio,
Olhos brilhantes.
Um gentleman
Diante do queijo.
Haverá de ter muita honradez
Para comê-la antes que nasçam
Cogumelos e o louco se sinta feliz.
Apesar de ser adorado por passarinhos,
O poeta foi um rato e viveu como
Viviam os ratos:
Focinho frio,
Olhos brilhantes.
Um gentleman
Diante do queijo.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Magia
Já te contei
De quando
Hipnotizei
Uma galinha?
Eu tinha nove anos.
E foi a farofa
Mais gostosa
Da minha vida.
Outro dia te conto
Da minha moeda mágica
Que se encantou dentro de uma parede.
Conjurei raios
E trovões de tristeza.
Tinha cinco
Anos
De quando
Hipnotizei
Uma galinha?
Eu tinha nove anos.
E foi a farofa
Mais gostosa
Da minha vida.
Outro dia te conto
Da minha moeda mágica
Que se encantou dentro de uma parede.
Conjurei raios
E trovões de tristeza.
Tinha cinco
Anos
Névoas De Chumbo
Sabe aquele poema ingênuo?
É um monstro de garras loucas.
É um monstro de garras loucas.
Não conhece outro espaço
Senão as grades do meu crânio.
Senão as grades do meu crânio.
Todas as noites
Derrete o ferro
E faz balas.
Derrete o ferro
E faz balas.
Calibre
Grosso.
Grosso.
Não pense que é doce
A sua voz infantil.
A sua voz infantil.
Babau
Sofri muito bullying na escola
Porque tinha asas nas costas
E medo de altura.
Depois que cresci
As asas caíram
Mas o medo
Ficou.
A cabeça gira e vomito
Só de olhar as estrelas.
Porque tinha asas nas costas
E medo de altura.
Depois que cresci
As asas caíram
Mas o medo
Ficou.
A cabeça gira e vomito
Só de olhar as estrelas.
Noivado
Estive pensando
Como te pedir
A mão.
Como te pedir
A mão.
Os pés,
As batatas
Das pernas.
As batatas
Das pernas.
Um poema não resolve.
Talvez um gatinho
Ou um filhote
De hiena
Ou um filhote
De hiena
Dentro de um cesto
De vime.
De vime.
Doméstico
Cadê as colherinhas da casa?
Por vezes, somem sob
Uma névoa de
Mistério.
Não há outro jeito então:
Meu dedo fará as honras
Na latinha de doce de leite.
Por vezes, somem sob
Uma névoa de
Mistério.
Não há outro jeito então:
Meu dedo fará as honras
Na latinha de doce de leite.
Pastoreio
Ultimamente
Sou um pastor
De ovelhas indiferentes
Ao tempo, ao pasto,
Ao amanhã.
Seguem meus passos
Ladeira acima e abaixo
Porque sou seu único dono.
E elas, as minhas ovelhas indiferentes,
Não abrem mão da minha companhia.
Uma companhia
Dúbia e patética.
Sou um pastor
De ovelhas indiferentes
Ao tempo, ao pasto,
Ao amanhã.
Seguem meus passos
Ladeira acima e abaixo
Porque sou seu único dono.
E elas, as minhas ovelhas indiferentes,
Não abrem mão da minha companhia.
Uma companhia
Dúbia e patética.
Desfiladeiro De Girassóis
A poesia existe
Pra aproximar
As pessoas
(Disse-me
Um pardal)
Pra aproximar
As pessoas
(Disse-me
Um pardal)
De maneira
Tão especial
Tão especial
Que não precisa
Conhecer o poeta.
Conhecer o poeta.
Cheirar o seu braço.
Beber com ele alguma coisa.
Beber com ele alguma coisa.
A poesia é uma ponte
Pra algo mais real.
Pra algo mais real.
Confidencial
Há duas coisas
Que você deve saber
Sobre a minha pessoa:
Que você deve saber
Sobre a minha pessoa:
Fui um louco
E não ando bem
Da minha cabeça.
E não ando bem
Da minha cabeça.
Em compensação (acredite)
Converso com passarinhos.
Converso com passarinhos.
Um agora mesmo
Espia-me pelas costas.
Espia-me pelas costas.
Quer me dizer que hoje é sexta.
Hoje é sexta, sexta, sexta, sexta.
Hoje é sexta, sexta, sexta, sexta.
A sobrancelha
Nem se move.
Nem se move.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Alguma Coisa Como Um Salmo
Se você bebeu, fumou e cheirou muito
Durante séculos e o seu espírito
Não suporta mais a sua
Cabeça de porco,
Tenha coragem
Pra fugir.
Não atenda
Ao telefone.
Aprenda a matar
Os seus inimigos.
Se a sua cabeça de porco
Explodir, jogue uma flor
Na calçada e acenda
Um incenso.
Coragem, meu poeta,
Não morra por suas mãos.
Outros fantasmas querem viver.
.
Durante séculos e o seu espírito
Não suporta mais a sua
Cabeça de porco,
Tenha coragem
Pra fugir.
Não atenda
Ao telefone.
Aprenda a matar
Os seus inimigos.
Se a sua cabeça de porco
Explodir, jogue uma flor
Na calçada e acenda
Um incenso.
Coragem, meu poeta,
Não morra por suas mãos.
Outros fantasmas querem viver.
.
Não Jogo Baralho
Os meus dias estão contados.
Não sei quem contou, mas
Fizemos um acordo:
Não falo de Deus
E Este me devolve
O meu livre-arbítrio.
Cujo papel foi rasgado
Por um anjo pomposo
Na noite em que nasci.
Não sei quem contou, mas
Fizemos um acordo:
Não falo de Deus
E Este me devolve
O meu livre-arbítrio.
Cujo papel foi rasgado
Por um anjo pomposo
Na noite em que nasci.
Veleidades
Tentei escrever vários poemas.
Alguns morderam meus dedos
E me mandaram sumir da vista.
Os que aceitaram, baby,
Fizeram o serviço sujo:
Lavaram e beijaram
Os meus pezinhos.
A dor de cabeça
Deu um tempo,
Obrigado.
Alguns morderam meus dedos
E me mandaram sumir da vista.
Os que aceitaram, baby,
Fizeram o serviço sujo:
Lavaram e beijaram
Os meus pezinhos.
A dor de cabeça
Deu um tempo,
Obrigado.
Botija De Ouro
Desde criança
Que sou doente
Por coisas invisíveis.
A poesia foi
Só um pulo.
Olhe bem a palma
Da minha mão.
Não vê mesmo velas
De navios fantasmas?
Que sou doente
Por coisas invisíveis.
A poesia foi
Só um pulo.
Olhe bem a palma
Da minha mão.
Não vê mesmo velas
De navios fantasmas?
Dama De Copas
A tua língua,
Imagino, é doce
E salgadinha depois.
(propícia pra plantar sonhos)
Não sei por que acordei
Pensando em tua língua.
Nunca vi os teus lábios.
Digo, ver de perto.
Mordê-los na ponta.
Enquanto o solitário
Vivia preso no vale sombrio
Tu vendias maçãs envenenadas.
Quero uma.
Adoro maçã
Que faz sonhar.
A tua língua,
Suponho, é fria
E quentinha depois.
Coisa de romântico
Esquecer a dor de cabeça
Pra pensar em uma língua distante.
Imagino, é doce
E salgadinha depois.
(propícia pra plantar sonhos)
Não sei por que acordei
Pensando em tua língua.
Nunca vi os teus lábios.
Digo, ver de perto.
Mordê-los na ponta.
Enquanto o solitário
Vivia preso no vale sombrio
Tu vendias maçãs envenenadas.
Quero uma.
Adoro maçã
Que faz sonhar.
A tua língua,
Suponho, é fria
E quentinha depois.
Coisa de romântico
Esquecer a dor de cabeça
Pra pensar em uma língua distante.
Platônico
Namorar à distância
É tortura, meu doce.
Depois que se briga
Não dá pra fazer as pazes
Beijando o pescoço e os pés.
Sobram apenas
As frias palavras
De morte e muita dor.
Pra te esquecer
Não tive outra saída
Senão pular da janela.
E levar junto
Uma andorinha
Das minhas oitis.
É tortura, meu doce.
Depois que se briga
Não dá pra fazer as pazes
Beijando o pescoço e os pés.
Sobram apenas
As frias palavras
De morte e muita dor.
Pra te esquecer
Não tive outra saída
Senão pular da janela.
E levar junto
Uma andorinha
Das minhas oitis.
Vivência
Conhecer a si mesmo
É um pé no abismo.
É um pé no abismo.
Precisei de cinquenta anos
Pra bater a ideia que
Poesia
Pra bater a ideia que
Poesia
Não é
Sonho.
Sonho.
Pijama
As paredes racham
Mas o teto não
Desaba.
O meu cotidiano
É um cínico complô
De entidades sacanas,
Um cético com figas
Em volta do pescoço.
Sou o tolo da vez pra elas
Que chegam de todos os buracos.
Cruzam as pernas,
Acendem velas,
Batem palmas.
Beliscam meu braço
Com pontas de agulhas
Procurando meu passado.
Uma lembrança boa
Pra tocar fogo.
Mas o teto não
Desaba.
O meu cotidiano
É um cínico complô
De entidades sacanas,
Um cético com figas
Em volta do pescoço.
Sou o tolo da vez pra elas
Que chegam de todos os buracos.
Cruzam as pernas,
Acendem velas,
Batem palmas.
Beliscam meu braço
Com pontas de agulhas
Procurando meu passado.
Uma lembrança boa
Pra tocar fogo.
Abajur De garrafa De Vinho
Longe de mim invadir teu coração.
Deixemos o coração e o blues
Fora deste meu tédio.
Deixemos o coração e o blues
Fora deste meu tédio.
Não é angústia
A minha dor
De cabeça.
A minha dor
De cabeça.
Um livro
Que guarda
Entre as páginas
Que guarda
Entre as páginas
Uma flor de pétalas secas
Não deveria nunca ser tocado.
Não deveria nunca ser tocado.
.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Carta
Separei alguns poemas
Pra te dizer, mas esqueci.
Pra te dizer, mas esqueci.
Não consigo
Passar muito tempo
Com um poema na cabeça.
Passar muito tempo
Com um poema na cabeça.
Multidão de palavras
Dentro da cabeça acaba
Em tédio e muita preguiça.
Dentro da cabeça acaba
Em tédio e muita preguiça.
Não paro de dormir.
Não sonho. Só durmo.
Não sonho. Só durmo.
Deixo a barba criar terreno.
E não lavo meus bermudões.
E não lavo meus bermudões.
Aliás, não te contei,
A cafeteira pifou.
A cafeteira pifou.
A segunda em pouquíssimo tempo.
Faço o meu café em uma artesanal.
Faço o meu café em uma artesanal.
Queimo meus dedos
Com frequência.
Com frequência.
Não passo
Pasta nem
Ponho gelo.
Pasta nem
Ponho gelo.
Os meus dedos queimados, baby,
Seguem os passos da minha solidão.
Seguem os passos da minha solidão.
(Precisava terminar
Beijando teus olhos)
Beijando teus olhos)
Poema
Tive tantos filhos
Nesta minha vida
De louco e monge.
Nesta minha vida
De louco e monge.
Escrevi debaixo de árvores.
Escrevi muitas coisas dormindo.
Escrevi muitas coisas dormindo.
Embora fossem nuvens,
Brilhavam carne e ossos.
Brilhavam carne e ossos.
As palavras nunca são
Uma coisa só, por isso
Que o poeta vive
Acendendo
Uma coisa só, por isso
Que o poeta vive
Acendendo
Uma vela pra deus
E outra pro diabo.
E outra pro diabo.
Muitos dos meus filhos
Nasceram tortos e trôpegos.
Nasceram tortos e trôpegos.
Antes que me dessem pena
Sumi com eles no berçário.
Sumi com eles no berçário.
Alguns meteram-se
Entre os meus dedos
De tal forma que acabaram
Pontinhos brancos nas unhas.
Entre os meus dedos
De tal forma que acabaram
Pontinhos brancos nas unhas.
Não me canso de amá-los.
Nem me arrependo por esquecê-los.
Nem me arrependo por esquecê-los.
Meus filhos
Não são bons
Nem maus.
Não são bons
Nem maus.
Digamos que os meus filhos
Com a minha morte apenas tocarão
Um blues em homenagem à minha alma.
Com a minha morte apenas tocarão
Um blues em homenagem à minha alma.
E pronto.
Seguirão depois os meus filhos
As suas vidas de pontinhos brancos
Nas unhas de outras mães e outros pais.
As suas vidas de pontinhos brancos
Nas unhas de outras mães e outros pais.
Tive tantos filhos
Nesta minha vida
De louco e monge.
Nesta minha vida
De louco e monge.
Você nem imagina
Como dói amá-los.
Como dói amá-los.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Flerte Na Clínica
Você passou seu batom
E vestiu seu conjuntinho
Em atenção a meus olhos.
E vestiu seu conjuntinho
Em atenção a meus olhos.
Até mostrou-me
O seu aplique
Rabo de
Cavalo.
O seu aplique
Rabo de
Cavalo.
Se você fosse uma ninfomaníaca
Como me contaram e juraram
As cozinheiras
Como me contaram e juraram
As cozinheiras
Teria me atacado
Sem piedade.
Sem piedade.
Mas não,
Você era apenas
Uma professora cansada
Com doce voz de passarinho.
Você era apenas
Uma professora cansada
Com doce voz de passarinho.
A Solidão Que Amamos
Queimei meus dedos
Fazendo café, baby.
Fazendo café, baby.
Sou normal,
Acredite.
Acredite.
Nunca mais vi
Uma efígie de lobo
Com cara de cavalo.
Uma efígie de lobo
Com cara de cavalo.
As silhuetas
No teto também
São belos girassóis.
No teto também
São belos girassóis.
Floresta Sombria
O mal que plantei
Atravessará a vida
Junto às minhas mãos.
Atravessará a vida
Junto às minhas mãos.
Um dia, baby,
Voltará a coragem.
Voltará a coragem.
Caminharei até a varanda
Sentarei na cadeira de vime
Não pensarei em pular da janela.
Sentarei na cadeira de vime
Não pensarei em pular da janela.
Por enquanto, meu doce,
O cansaço é minha salvação:
Fingir-me de morto de cortina aberta.
O cansaço é minha salvação:
Fingir-me de morto de cortina aberta.
Infância Amorosa
Todos os dias
Meus dentes
Caem
Meus dentes
Caem
E cada
Dente
Que cai
Dente
Que cai
Livro-me
Jogando-os
Jogando-os
No telhado
De sua casa.
De sua casa.
Nascerá uma linda coleção
De florezinhas selvagens.
De florezinhas selvagens.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
18 horas
O que sabemos
Da dor do outro?
Da dor do outro?
A natural ausência
De uma alma triste
Não é o princípio
Da melancolia.
De uma alma triste
Não é o princípio
Da melancolia.
A melancolia é um dom.
Um sinal de nascença
Que nunca se apaga.
Um sinal de nascença
Que nunca se apaga.
O corpo estendido
Durante o sonho
Da morte
Durante o sonho
Da morte
Não salvará
O dono.
O dono.
Aquela lágrima
Que faz o caminho
Pra dentro da gente
Ninguém vê nem sabe.
Que faz o caminho
Pra dentro da gente
Ninguém vê nem sabe.
Pátio de Clínica
Pensei em conjurar ventanias,
Mas isso é coisa pra entidades
Mas isso é coisa pra entidades
Das matas
Ou dos mares.
Ou dos mares.
Fique bem quietinho, poeta
E nem se dê ao trabalho
De levantar os olhos
Aos céus:
E nem se dê ao trabalho
De levantar os olhos
Aos céus:
Sombras de passarinhos
Brincam no telhado.
Brincam no telhado.
Sitiado
Enquanto estive longe
Não houve rebelião.
Não houve rebelião.
A minha cafeteira
Preferiu a morte.
Preferiu a morte.
Ainda não tive coragem
De olhar as plantinhas.
De olhar as plantinhas.
A rua é uma paranoia.
Sei que os espiões
Não dormem
Muito bem.
Sei que os espiões
Não dormem
Muito bem.
Os últimos passarinhos
Reconhecem terreno.
Reconhecem terreno.
Falta pouco
Pra minha
Janela.
Pra minha
Janela.
Não reze
Por mim.
Por mim.
Os que não
Conseguiram fugir
Merecem a sua prece.
Conseguiram fugir
Merecem a sua prece.
A sopa
Não esfria.
Não esfria.
Drinque
Você sabe
O que o amor
Faz conosco, baby.
O que o amor
Faz conosco, baby.
Precisamos
Virar a página,
Virar a página,
Embora muitos insetos
Morram de tosse.
Morram de tosse.
Uma tosse
Triste e seca,
Triste e seca,
Dessas de caubói
Após uma longa
Jornada
Após uma longa
Jornada
domingo, 9 de outubro de 2016
Decadência
Querer a poesia é um inferno.
Tê-la na cabeça durante séculos
É um inferno ainda mais terrível.
Depois que se pesca um peixe
O mar passa a seguir
Nossos olhos.
Sumiram as moedas encantadas.
As palavras tornaram-me um gângster.
Odeio com a facilidade de quem perdeu o amor.
Mereço um tiro.
Outra vida vazia.
Um túmulo penoso.
Um blues
Distante.
Tê-la na cabeça durante séculos
É um inferno ainda mais terrível.
Depois que se pesca um peixe
O mar passa a seguir
Nossos olhos.
Sumiram as moedas encantadas.
As palavras tornaram-me um gângster.
Odeio com a facilidade de quem perdeu o amor.
Mereço um tiro.
Outra vida vazia.
Um túmulo penoso.
Um blues
Distante.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
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