Muriçocas decididas voam direto aos meus pulsos
(A boca aberta, os dentes brancos) e mordem
Pra chuchu, e bebem meu sangue, sorriem,
E me dizem que mais tarde
Cuidarão de mim.
Antes, porém, precisam fazer a comida
E juntar as roupas lavadas pela manhã.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Gavetas embutidas por flores de cerejeiras
Abençoado o homem que conversa
Com o seu coração como se fosse
Ele (o coração) uma criança.
Sob doce segredo,
Sabem os dois
(Coração
E criança)
Que ambos
São o homem.
Com o seu coração como se fosse
Ele (o coração) uma criança.
Sob doce segredo,
Sabem os dois
(Coração
E criança)
Que ambos
São o homem.
Ofício de branduras
Se o botão da minha camisa
Docemente deixa a casa
[Antes que fuja
Pelo chão]
Guardo-o
Dentro do bolso.
E não há diante
Dos meus olhos
Maior delicadeza.
Docemente deixa a casa
[Antes que fuja
Pelo chão]
Guardo-o
Dentro do bolso.
E não há diante
Dos meus olhos
Maior delicadeza.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Átomos
O mundo que cai do varal do banheiro
(Toalhas, meias, cabides vazios)
Apanho no ar com a destreza
De um gafanhoto
Shaolin.
Depois vejo o que tem na geladeira.
A minha fome, agora, é de arroubos.
(Toalhas, meias, cabides vazios)
Apanho no ar com a destreza
De um gafanhoto
Shaolin.
Depois vejo o que tem na geladeira.
A minha fome, agora, é de arroubos.
domingo, 10 de agosto de 2014
Ringue
I
Hei de atravessar a ponte
Sem nenhum tipo
De muletas.
Caso o bico da perna de pau
Encaixe-se no vão das nuvens
O meu abismo será mais trágico.
II
Atravessarei a minha dor
A nado (por baixo d'água)
Onde arregalarei os olhos
Pra melhor ver os peixes
De Neruda.
Hei de atravessar a ponte
Sem nenhum tipo
De muletas.
Caso o bico da perna de pau
Encaixe-se no vão das nuvens
O meu abismo será mais trágico.
II
Atravessarei a minha dor
A nado (por baixo d'água)
Onde arregalarei os olhos
Pra melhor ver os peixes
De Neruda.
Dos vícios exuberantes
Remende-se primeiro, meu poeta:
Encaixe as suas rótulas, junte as suas costelas,
Ligue os seus tendões, costure os seus supercílios.
O seu corpo anda tão capenga
Pra novos arroubos do coração.
Mas você, meu poeta,
É um jardineiro teimoso:
Não vive sem sujar as mãos
De nuvens e as unhas de terra.
Então, pule.
Bata de novo
A sua vértebra
Contra os corais.
A pérola só veremos
Depois da cegueira.
Encaixe as suas rótulas, junte as suas costelas,
Ligue os seus tendões, costure os seus supercílios.
O seu corpo anda tão capenga
Pra novos arroubos do coração.
Mas você, meu poeta,
É um jardineiro teimoso:
Não vive sem sujar as mãos
De nuvens e as unhas de terra.
Então, pule.
Bata de novo
A sua vértebra
Contra os corais.
A pérola só veremos
Depois da cegueira.
Curativo de pólen
As cerejeiras têm um código secreto
Com os olhos de quem as planta.
O samurai que olhar dentro dos próprios olhos
Verá uma folhagem lilás de um mágico amarelo.
São os primeiros sinais
Do pulo ao abismo.
Morrer à sombra
De uma cerejeira,
Meu próximo
Passo.
Com os olhos de quem as planta.
O samurai que olhar dentro dos próprios olhos
Verá uma folhagem lilás de um mágico amarelo.
São os primeiros sinais
Do pulo ao abismo.
Morrer à sombra
De uma cerejeira,
Meu próximo
Passo.
sábado, 9 de agosto de 2014
Cirurgia em peito de passarinho
Acabo de enterrar uma alma.
Era um girassol. Seu único defeito:
Não acreditar na sua coragem de girassol.
Sofro pelo girassol não ter reconhecido
Que é o sol que lhe deve a vida
E não o contrário.
Incrivelmente não sujei minhas mãos.
A cova em que depositei o girassol
Era uma cova rasa de sonhos
Onde plantarei,
Agora, uma
Cerejeira.
Era um girassol. Seu único defeito:
Não acreditar na sua coragem de girassol.
Sofro pelo girassol não ter reconhecido
Que é o sol que lhe deve a vida
E não o contrário.
Incrivelmente não sujei minhas mãos.
A cova em que depositei o girassol
Era uma cova rasa de sonhos
Onde plantarei,
Agora, uma
Cerejeira.
Da varanda o café é mais existencial
Um dia eu canso.
Mas antes encho o seu balaio
Com as nuvens que posso tocar.
Faço origamis
E mudo de rostos
As nuvens azuis e brancas.
Mas antes encho o seu balaio
Com as nuvens que posso tocar.
Faço origamis
E mudo de rostos
As nuvens azuis e brancas.
Algibeira de lírios
As andorinhas parecem pressentir
A minha solidão sem graça,
O meu vazio sinistro:
Chegam à minha janela,
Quebram a vidraça,
Tentam encostar
Seus bicos
Sobre meu peito
Nu, e liso,
E triste.
Esparramado na cadeira de vime,
Sequer tenho forças pra segurar
A espingarda de ar comprimido
E atirar em suas asas.
A minha solidão sem graça,
O meu vazio sinistro:
Chegam à minha janela,
Quebram a vidraça,
Tentam encostar
Seus bicos
Sobre meu peito
Nu, e liso,
E triste.
Esparramado na cadeira de vime,
Sequer tenho forças pra segurar
A espingarda de ar comprimido
E atirar em suas asas.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Cântico de Salomão
Não é de bala, de mulher na cama, de náuseas,
De drogas pesadas, de lutas incansáveis contra
Os travesseiros: Morrerei da fadiga de tanto mel.
De drogas pesadas, de lutas incansáveis contra
Os travesseiros: Morrerei da fadiga de tanto mel.
Alvorecer
Amor, agorinha há pouco,
No ponto de ônibus,
Uma mulher
(No auge
Do vigor)
Creio,
Aos cinquenta anos,
Tombou aos meus pés.
Senti uma vontade cruel
De pôr a minha mão
Sobre sua cabeça.
E absolvê-la
Dos pecados.
Mas não sou pastor
De ovelhas: sou curandeiro
De almas voluptuosas e perdidas.
Ofereci-lhe
O que tinha no bolso:
Uma pastilha pra garganta.
No ponto de ônibus,
Uma mulher
(No auge
Do vigor)
Creio,
Aos cinquenta anos,
Tombou aos meus pés.
Senti uma vontade cruel
De pôr a minha mão
Sobre sua cabeça.
E absolvê-la
Dos pecados.
Mas não sou pastor
De ovelhas: sou curandeiro
De almas voluptuosas e perdidas.
Ofereci-lhe
O que tinha no bolso:
Uma pastilha pra garganta.
Elevação glacial
Para te poupar de mim,
Não descerei ao cume
Do abismo (onde
Só há peixinhos
Coloridos) .
Serei firme e forte,
No alto, juntinho
Dos corvos.
Não descerei ao cume
Do abismo (onde
Só há peixinhos
Coloridos) .
Serei firme e forte,
No alto, juntinho
Dos corvos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Pagode dos patéticos
Possessivo, ciumento, dado a arroubos:
Se amo, mato andorinhas e fujo
Das calçadas.
Se amo, mato andorinhas e fujo
Das calçadas.
Cão de rua
Esquecê-la? Posso
Nunca alcançar
Tal graça.
Mas possuo
Um tesouro:
A íntima leveza poética
Que me sobressalta
Depois que corto
Os pulsos.
Nunca alcançar
Tal graça.
Mas possuo
Um tesouro:
A íntima leveza poética
Que me sobressalta
Depois que corto
Os pulsos.
Entre joios e vendavais
Havia encomendado
Duas alianças de prata.
Uma para o meu amor.
E a outra para o meu amor.
O meu amor (pessoa)
Deu-me um bolo.
Sobrou-me apenas
O outro amor
Dentro
Do peito.
Duas alianças de prata.
Uma para o meu amor.
E a outra para o meu amor.
O meu amor (pessoa)
Deu-me um bolo.
Sobrou-me apenas
O outro amor
Dentro
Do peito.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Açúcares
Não acredito, meu poeta:
Não reconheces mais tua xícara?
Ela é toda branquinha e tem a asa
Ainda mais branquinha, embora ela fique
Vermelha quando tu passas em volta da mesa.
Não reconheces mais tua xícara?
Ela é toda branquinha e tem a asa
Ainda mais branquinha, embora ela fique
Vermelha quando tu passas em volta da mesa.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
A liberdade é lilás
Não se apaixone, meu poeta,
Pelos olhos de uma mulher
Tampouco por sua alma.
Apaixone-se pelo café que ela coa.
Pelo peixe frito que ela enfeita sem medo
De que o óleo queime suas delicadas mãos.
Apaixone-se, meu poeta,
Por alguma coisa real
Do seu sonho.
Pelos olhos de uma mulher
Tampouco por sua alma.
Apaixone-se pelo café que ela coa.
Pelo peixe frito que ela enfeita sem medo
De que o óleo queime suas delicadas mãos.
Apaixone-se, meu poeta,
Por alguma coisa real
Do seu sonho.
Espantalho dos campos de girassóis
De qual matéria o poeta é feito:
Das paredes das nuvens
Ou dos cogumelos
Que crescem
Nas hastes
Dos lírios?
Aquele que vê as gotículas dos cogumelos
Não sabem das nuvens das minhas janelas.
Das paredes das nuvens
Ou dos cogumelos
Que crescem
Nas hastes
Dos lírios?
Aquele que vê as gotículas dos cogumelos
Não sabem das nuvens das minhas janelas.
domingo, 3 de agosto de 2014
O bom combate entre girassóis
Há poemas escritos por tão visível carência
Que se imagina claramente os olhos chorosos
De quem sobe ao telhado do casarão antigo dos avós
Com um caderno debaixo do braço e um lápis entre os dentes.
Que se imagina claramente os olhos chorosos
De quem sobe ao telhado do casarão antigo dos avós
Com um caderno debaixo do braço e um lápis entre os dentes.
Desvio de rota
Dos meus vacilos de pescador de arroubos
O mais terrível é não conter o coração
A disparar sem trégua pétalas
Que aprisionam o outro.
Que mulher deseja
Ser tão cortejada?
O que antes era tenro
(Um poema doce)
Das minhas egoístas mãos
Nasceram versos
De náufrago.
Mas, diga-me camponesa,
Qual o náufrago que não ama
Seus últimos sonhos de sobrevivente?
Em alto mar, as estrelas
Dançam aos meus olhos.
E ainda é manhã.
O mais terrível é não conter o coração
A disparar sem trégua pétalas
Que aprisionam o outro.
Que mulher deseja
Ser tão cortejada?
O que antes era tenro
(Um poema doce)
Das minhas egoístas mãos
Nasceram versos
De náufrago.
Mas, diga-me camponesa,
Qual o náufrago que não ama
Seus últimos sonhos de sobrevivente?
Em alto mar, as estrelas
Dançam aos meus olhos.
E ainda é manhã.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Resina dos últimos ópios
Minha camponesa não resistiu ao meu sorriso bestial
(Dentes de caballo louco) e fugiu.
Fugiu tão apressada
Que esqueceu o cesto
Das suas maçãs envenenadas
Na soleira da porta do meu quarto.
(Dentes de caballo louco) e fugiu.
Fugiu tão apressada
Que esqueceu o cesto
Das suas maçãs envenenadas
Na soleira da porta do meu quarto.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Sete segundos
Com a mão posta sobre o lado direito
Acima das minhas costelas entendo
O meu destino de jardineiro.
Só bate assim o coração
Daquele que bebeu o chá
Dos botões
De girassóis.
(Agora é o trovador meio Sátiro e meio noviço).
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Fim da procura
As moças podem fazer à vontade seus cachos
Arrumando os cabelos, como ajeitam
As gueixas o penteado (tímidas,
Fatais) a desvendar a nuca.
O poeta anda cego.
Só vê a um palmo
Do nariz
O pescoço
da sua pequena.
Arrumando os cabelos, como ajeitam
As gueixas o penteado (tímidas,
Fatais) a desvendar a nuca.
O poeta anda cego.
Só vê a um palmo
Do nariz
O pescoço
da sua pequena.
domingo, 27 de julho de 2014
Bilhetinho colado na porta da geladeira
Junto pedacinhos dos meus sabonetes
No cantinho da janela do banheiro
Pra depois esculpir teu busto
Da minha pele.
No cantinho da janela do banheiro
Pra depois esculpir teu busto
Da minha pele.
Das hastes das rosas vermelhas
Por tê-la
Que me vejo
Um olhar tenro
Antes dos sonhos.
Amá-la é um dom dos gigantes
Que sobem ao pé de feijão encantado
E não temem pular do alto (graciosos).
Debaixo das pálpebras dos amados
Só há doçura, minha querida.
E coragem.
sábado, 26 de julho de 2014
Envolvimento
A tartaruga ama
Do seu jeito
Lento.
Mas doce.
Ou há dúvida
Nas juras amorosas
Do seu olhar taciturno?
Do seu jeito
Lento.
Mas doce.
Ou há dúvida
Nas juras amorosas
Do seu olhar taciturno?
Camponesa dos olhos de âmbar
Eia, eia!
O general apaixonado
Atravessa o campo
De batalha!
E há em seu olhar
Um riso de poeta.
Eia, eia!
Saiam da frente
Andorinhas!
O general apaixonado
Tem pressa que chegue
O mês do seu aniversário.
A sua camponesa já faz fogo mágico
Dos seios fartos que a acompanham.
E o general sonha.
Nunca deixou de sonhar.
(Daí a sua vitória no campo de batalha.
Sem baixas e sem arrependimentos).
O general apaixonado
Atravessa o campo
De batalha!
E há em seu olhar
Um riso de poeta.
Eia, eia!
Saiam da frente
Andorinhas!
O general apaixonado
Tem pressa que chegue
O mês do seu aniversário.
A sua camponesa já faz fogo mágico
Dos seios fartos que a acompanham.
E o general sonha.
Nunca deixou de sonhar.
(Daí a sua vitória no campo de batalha.
Sem baixas e sem arrependimentos).
quarta-feira, 23 de julho de 2014
A felicidade dos homens efêmeros
Com o que sonham os cãezinhos beagles?
Em conhecer a varanda de D. Quixote.
Fazer pipi nas plantinhas
E morder os braços
Das cadeiras de
Vime.
Em conhecer a varanda de D. Quixote.
Fazer pipi nas plantinhas
E morder os braços
Das cadeiras de
Vime.
terça-feira, 22 de julho de 2014
O veludo do silêncio
Não é uma coisa agradável.
Mas o poeta sabe quando
Deve tirar o coração
Da tomada.
Antes que as camponesas
(Entediadas) comam as maçãs.
Com o tempo você perceberá
Que cada um é mesmo único.
O poeta não vive
Se não for de fato a mil graus
Suando nas palmas estendidas.
Dessas febres
Que o faz ler cartas
Jantando e falando sem parar.
Não é uma coisa aprazível.
Mas o jardineiro sabe tirar as mãos
Da terra e deixar o girassóis florirem.
Mas o poeta sabe quando
Deve tirar o coração
Da tomada.
Antes que as camponesas
(Entediadas) comam as maçãs.
Com o tempo você perceberá
Que cada um é mesmo único.
O poeta não vive
Se não for de fato a mil graus
Suando nas palmas estendidas.
Dessas febres
Que o faz ler cartas
Jantando e falando sem parar.
Não é uma coisa aprazível.
Mas o jardineiro sabe tirar as mãos
Da terra e deixar o girassóis florirem.
Varal do banheiro
Não demorou muito tempo
As minhas cuecas secaram.
A melhor hora para lavá-as
É quando a brisa das calçadas
Entra pela janela do meu banheiro
E vai lhes beijando a face
(De cada uma) sob o carinho
De amante. Ainda assim, o poeta
Faz bico: melhor teria sido se chovesse.
As minhas cuecas secaram.
A melhor hora para lavá-as
É quando a brisa das calçadas
Entra pela janela do meu banheiro
E vai lhes beijando a face
(De cada uma) sob o carinho
De amante. Ainda assim, o poeta
Faz bico: melhor teria sido se chovesse.
Cobra-cega
Confio em ti: usa teu garfo
Pra coçar as minhas costas.
E se estiveres com ciúme,
Não temas meu grito:
Espeta-me
O pescoço.
Pra coçar as minhas costas.
E se estiveres com ciúme,
Não temas meu grito:
Espeta-me
O pescoço.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Discurso da meia-noite
Com as minhas mãos
(E os meus dedos)
Já levei nuvens
Às lágrimas
De felicidade.
Agora é um girassol
Que subo aos céus.
(E os meus dedos)
Já levei nuvens
Às lágrimas
De felicidade.
Agora é um girassol
Que subo aos céus.
Vapores de brumas
A sorte do poeta é que a poesia
Não dá a mínima pros seus mimos.
Não leva a sério
A sua vaidade.
Gargalha.
Quanto mais ele mudar de pele (e quebrar a cara)
A poesia se aproximará com o rosto da única amiga.
Do único
Amor.
Não dá a mínima pros seus mimos.
Não leva a sério
A sua vaidade.
Gargalha.
Quanto mais ele mudar de pele (e quebrar a cara)
A poesia se aproximará com o rosto da única amiga.
Do único
Amor.
domingo, 20 de julho de 2014
Cachoeira
Enquanto a água pura
Ungir os teus cabelos
E molhar teu corpo,
Tu não sentirás frio.
O batismo da Água, crê,
Também é o batismo
Do Fogo.
Ungir os teus cabelos
E molhar teu corpo,
Tu não sentirás frio.
O batismo da Água, crê,
Também é o batismo
Do Fogo.
Das orações
Diga ao seu filho de doze ou quarenta e oito anos
Que Deus ouve e não ouve pelos ouvidos humanos.
O íntimo diálogo do seu filho
(Inviolável) será o bálsamo
Da dor do outro.
E que não espere
A própria voz de volta
Como uma ingênua trapaça.
Quem se liga ao Silêncio sabe
Do amor e da pureza das palavras.
Logo somem todas as sílabas
E o que sobra é uma paz
De febre incontrolável.
Diga ao seu filho que Deus
Não tem faces gravadas
Em dados.
Quem os joga
Tem mãos.
Mas diga de maneira
Que ele descubra
Sozinho.
Dê apenas um toque
Com um sorriso leve
No canto da sua boca.
Que Deus ouve e não ouve pelos ouvidos humanos.
O íntimo diálogo do seu filho
(Inviolável) será o bálsamo
Da dor do outro.
E que não espere
A própria voz de volta
Como uma ingênua trapaça.
Quem se liga ao Silêncio sabe
Do amor e da pureza das palavras.
Logo somem todas as sílabas
E o que sobra é uma paz
De febre incontrolável.
Diga ao seu filho que Deus
Não tem faces gravadas
Em dados.
Quem os joga
Tem mãos.
Mas diga de maneira
Que ele descubra
Sozinho.
Dê apenas um toque
Com um sorriso leve
No canto da sua boca.
Das solitudes
Um prego enferrujado sobre o parapeito da janela do banheiro
Reclama das minhas botas mofadas debaixo da escrivaninha
O título do mais taciturno dos solitários.
Nem o prego enferrujado
Nem as minhas botas mofadas
(Ingênuos) não ouviram falar da longa solidão
Do meu par antigo de meias no fundo da gaveta.
Reclama das minhas botas mofadas debaixo da escrivaninha
O título do mais taciturno dos solitários.
Nem o prego enferrujado
Nem as minhas botas mofadas
(Ingênuos) não ouviram falar da longa solidão
Do meu par antigo de meias no fundo da gaveta.
Mademoiselle
O meu amor sabe coisas que esqueci
Enquanto sozinho cruzava a ponte
Olhando pro céu aflito.
Nada tão importante.
Já cheguei até ela.
O perfume do seu sabonete
Dá-me bom dia antes dos passarinhos.
Enquanto sozinho cruzava a ponte
Olhando pro céu aflito.
Nada tão importante.
Já cheguei até ela.
O perfume do seu sabonete
Dá-me bom dia antes dos passarinhos.
sábado, 19 de julho de 2014
Peitoril
Se você pegou em flores hoje,
Não lave as suas mãos, amigo.
Um jardineiro que adoça
O café das visitas com
O dedo da aliança
Tornam-se mais tarde
Todas suas amantes.
Não lave as suas mãos, amigo.
Um jardineiro que adoça
O café das visitas com
O dedo da aliança
Tornam-se mais tarde
Todas suas amantes.
Viciados em pólen
Dos meus poemas românticos
Eu preparo papinha de angú
E ofereço às andorinhas
Da minha janela.
Nem todas apreciam.
Algumas preferem
Só martini.
E uma boa noite de cama.
Eu preparo papinha de angú
E ofereço às andorinhas
Da minha janela.
Nem todas apreciam.
Algumas preferem
Só martini.
E uma boa noite de cama.
Das memórias quiméricas
O coração diz: Voa, poeta!
O poeta pula da cama
E bate asas.
O coração diz: Emociona-te, ó poeta!
O poeta pega a haste da flor branca
E fura os olhos.
O coração sugere um cafezinho.
E o poeta (de olhos furados)
Tateia os potes sobre
O armário.
Encontra um broche
Que um dia prendeu
O caminho pros teus
Seios. Lembras? Aquele
Vestido seda azul decotado.
O poeta pula da cama
E bate asas.
O coração diz: Emociona-te, ó poeta!
O poeta pega a haste da flor branca
E fura os olhos.
O coração sugere um cafezinho.
E o poeta (de olhos furados)
Tateia os potes sobre
O armário.
Encontra um broche
Que um dia prendeu
O caminho pros teus
Seios. Lembras? Aquele
Vestido seda azul decotado.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Pescador de arroubos
Seu rosto trocando luz
Com o meu coração:
É deste mistério
Que retiro a lucidez.
O poeta ao falar de amor
Não se alimenta dos sonhos.
Pois sonhos não são escritos.
Os poemas amorosos são reais, baby,
Como essas lágrimas que me queimam.
Com o meu coração:
É deste mistério
Que retiro a lucidez.
O poeta ao falar de amor
Não se alimenta dos sonhos.
Pois sonhos não são escritos.
Os poemas amorosos são reais, baby,
Como essas lágrimas que me queimam.
Jovial
Os passarinhos não nasceram para os céus.
Doce engano, meu amor. Os passarinhos
Nasceram para fazer ninhos juntando
Os seus cílios do meu olhar.
Doce engano, meu amor. Os passarinhos
Nasceram para fazer ninhos juntando
Os seus cílios do meu olhar.
Tédio
O longo poema cansa.
Exausto, bocejo, dou
Um chute na porta.
Assusto um cupim
Que chegara da noitada
(Ainda com bafo de madeira).
Exausto, bocejo, dou
Um chute na porta.
Assusto um cupim
Que chegara da noitada
(Ainda com bafo de madeira).
Na moita
Quero-te por perto
Para celebrar o vazio.
Esquece a minha solidão.
Ela só existe quando
Não escrevo.
Quero-te ao lado
Para puxar teus cílios
(De surpresa) e soprá-los.
Não leves a sério
A minha melancolia.
Ela só existe
Entre mãos
E palavras.
Vem brincar
De camponesas
E Sátiros tesudos
Pela floresta encantada.
No momento em que surgir a tristeza
Manda-te logo dos meus braços
Pois já fugi da tua cama.
E nem deu tempo
De levar teu sabonete.
Para celebrar o vazio.
Esquece a minha solidão.
Ela só existe quando
Não escrevo.
Quero-te ao lado
Para puxar teus cílios
(De surpresa) e soprá-los.
Não leves a sério
A minha melancolia.
Ela só existe
Entre mãos
E palavras.
Vem brincar
De camponesas
E Sátiros tesudos
Pela floresta encantada.
No momento em que surgir a tristeza
Manda-te logo dos meus braços
Pois já fugi da tua cama.
E nem deu tempo
De levar teu sabonete.
Lacaio
Perdi a minha luva
Da mão direita.
Descuido constrangedor
A um serviçal de longas datas
Que dorme no palácio e não cobra
Hora extra nem proventos de apaixonado.
Vê, minha senhora,
Se ficou entre os cachos
Dos teus cabelos: ontem demoraste
A dormir e amanheci fazendo-te cafunés.
Agora é hora do teu chá de cerejeira.
E ainda hei de colher os teus girassóis.
O tempo voa com asas de querubins.
Não é mesmo, minha doce senhora?
Da mão direita.
Descuido constrangedor
A um serviçal de longas datas
Que dorme no palácio e não cobra
Hora extra nem proventos de apaixonado.
Vê, minha senhora,
Se ficou entre os cachos
Dos teus cabelos: ontem demoraste
A dormir e amanheci fazendo-te cafunés.
Agora é hora do teu chá de cerejeira.
E ainda hei de colher os teus girassóis.
O tempo voa com asas de querubins.
Não é mesmo, minha doce senhora?
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Aurículas
Se o mal perde a força,
O bem perde a força
E sem forças,
Apático, o poeta
Encontra sua paz.
O que não é justo
Ao seu coração
Febril.
O bem perde a força
E sem forças,
Apático, o poeta
Encontra sua paz.
O que não é justo
Ao seu coração
Febril.
Horário de trabalho
Voltei a apertar parafusos
Durante todo o dia
Na repartição.
Essa é a hora
Em que os incautos
Preparam armadilhas.
O poeta com uma chave de fenda nas mãos
É um Quixote com os bolsos cheios de moinhos.
Durante todo o dia
Na repartição.
Essa é a hora
Em que os incautos
Preparam armadilhas.
O poeta com uma chave de fenda nas mãos
É um Quixote com os bolsos cheios de moinhos.
Jangada em alto mar
Para que não fuja o encanto daquele bermudão andarilho,
Estenda-o sobre o telhado no mês de julho:
A brisa logo o secará com a delicadeza
De quem escova os dentes
Ciente da fragilidade
Das estrelas.
O mundo pra elas são campos de girassóis
À espera de pegar fogo os olhos do noviço.
Estenda-o sobre o telhado no mês de julho:
A brisa logo o secará com a delicadeza
De quem escova os dentes
Ciente da fragilidade
Das estrelas.
O mundo pra elas são campos de girassóis
À espera de pegar fogo os olhos do noviço.
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