quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

o ceifeiro dos campos de espuma

não há velhice, meu caro
mesmo que os dedos decrépitos
irritem-se e urrem e digam que sim

que sim senhor há velhice
na palma da mão e nas falanges
eu digo que não há velhice, meu jovem

mesmo que os joelhos rosnem
e sussurrem metálicos que há velhice
no andar desolado e no curvar-se absorto

confirmo que não há velhice, menino
mesmo que os cabelos brancos enlouqueçam
mesmo que os lábios ressecados blasfemem

asseguro-lhe, criança
que não há velhice no espírito
apartado do instante que dorme

e se quiser tomar a sua vida de volta
retorne aos seus vícios de ontem
sem murmúrios

mesmo assim
só haverá velhice

depois da chuva
quando seu barquinho
tiver sumido dentro do bueiro

ora, mas o que é um barquinho
para um velho esquecido
que tem o corpo a julgar
como inimigo?

4 comentários:

  1. Bom é deixar a velhice de lado e viver o lado bom da vida. Ânimo! Um abraço, Yayá.

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  2. ... há, por vezes, um: a terra parir.nos antes do tempo... ;)

    beijo, Poeta.

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  3. "mesmo que os joelhos rosnem e sussurrem metálicos que há velhice
    no andar desolado e no curvar-se absorto confirmo que não há velhice, menino..."

    Não há, nessa alma de poeta, nessa agudeza de olhar, nessa reinvenção das palavras...não há e nunca haverá de haver o envelhecer.

    Beijos,

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