Sarei daquela alergia
Abaixo do ombro esquerdo.
Vivia convencido de que era
Marca da sua mordida e compartilhava
Dessa obsessão com as visitas no hospício.
Mas nós sabíamos quando você me entregava
O doce de leite, o maço de cigarros e as três peças
De roupas limpas que aquela erupção cutânea no peito
Não passava de um estigma banal e dilacerante da saudade.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Essa chuvinha fina que cai agora
É um presente que arranjei pra você.
Nem foi preciso arrancar cílios,
Chorar, desesperar-se, bater
Com violência os punhos
Contra a mesa redonda
De vidro.
O meu coração urrou
Igual a um bisão velho
No alto da colina de neve.
Até as minhas andorinhas resolveram
Tocar violinos com os gravetos de oitis.
É um presente que arranjei pra você.
Nem foi preciso arrancar cílios,
Chorar, desesperar-se, bater
Com violência os punhos
Contra a mesa redonda
De vidro.
O meu coração urrou
Igual a um bisão velho
No alto da colina de neve.
Até as minhas andorinhas resolveram
Tocar violinos com os gravetos de oitis.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
Os primeiros poetas não sabiam que nome dar àquela escrita
Suja de âmbar que escreviam em suas costelas com pontas
De pedras. Gostavam mais do som das pedras
Contra as costelas.
Muitos dormiam e sonhavam com palavras
Ouvindo o som das pedras pontudas
Contra as suas costelas.
Os primeiros poetas não escreviam para eles
Nem para o tão próximo ou tão distante.
Escreviam por que havia a luz do fogo
Que iluminava seus corpos em cavernas úmidas.
Os primeiros poetas não escreviam
À luz das estrelas.
Os primeiros poetas nunca foram bons caçadores.
Nem eram dotados de perspicácia e delírios
Para alcançar os céus.
Os primeiros poetas escreviam com pedras pontudas
Contra suas costelas e talvez fosse âmbar aquela resina.
Sei que morreram no inverno.
Cobertos de neves.
Muitos tinham nas mãos e rostos
Mordidas de cães selvagens
E outros bichos.
Mas por seus corpos estarem cobertos de neves
Parecia-lhes uma morte tranquila. Alguns
Não morreram e chegaram a conhecer
Mais dos céus do que da alma.
E a alma aos primeiros poetas
Era só o corpo, o corpo e as costelas
Feridas pelas pedras pontudas de âmbar.
Suja de âmbar que escreviam em suas costelas com pontas
De pedras. Gostavam mais do som das pedras
Contra as costelas.
Muitos dormiam e sonhavam com palavras
Ouvindo o som das pedras pontudas
Contra as suas costelas.
Os primeiros poetas não escreviam para eles
Nem para o tão próximo ou tão distante.
Escreviam por que havia a luz do fogo
Que iluminava seus corpos em cavernas úmidas.
Os primeiros poetas não escreviam
À luz das estrelas.
Os primeiros poetas nunca foram bons caçadores.
Nem eram dotados de perspicácia e delírios
Para alcançar os céus.
Os primeiros poetas escreviam com pedras pontudas
Contra suas costelas e talvez fosse âmbar aquela resina.
Sei que morreram no inverno.
Cobertos de neves.
Muitos tinham nas mãos e rostos
Mordidas de cães selvagens
E outros bichos.
Mas por seus corpos estarem cobertos de neves
Parecia-lhes uma morte tranquila. Alguns
Não morreram e chegaram a conhecer
Mais dos céus do que da alma.
E a alma aos primeiros poetas
Era só o corpo, o corpo e as costelas
Feridas pelas pedras pontudas de âmbar.
terça-feira, 16 de junho de 2015
A minha avó entrou em amnésia profunda
Quando perdeu o seu grande amor.
Passava dias catatônica
Com o olhar perdido,
Distante,
Atravessando
O corredor
Escuro.
Ao despertar,
Caminhava pela casa
E pelo quintal enlouquecida
Invocando dos campos de batalha
E dos salões de baralho o seu amado.
Muitas vezes, exausta
Fechava-se em seu quarto,
Orava ladainhas e fazia as malas.
Conseguia sempre alcançá-la
Na esquina do cemitério.
Segurava-lhe o braço,
Beijava-lhe a cabeça.
Entre irritada e lúgubre
A minha avó chorava
E sorria:
"Meu netinho, onde diacho
Meteu-se o meu velho?"
Quando perdeu o seu grande amor.
Passava dias catatônica
Com o olhar perdido,
Distante,
Atravessando
O corredor
Escuro.
Ao despertar,
Caminhava pela casa
E pelo quintal enlouquecida
Invocando dos campos de batalha
E dos salões de baralho o seu amado.
Muitas vezes, exausta
Fechava-se em seu quarto,
Orava ladainhas e fazia as malas.
Conseguia sempre alcançá-la
Na esquina do cemitério.
Segurava-lhe o braço,
Beijava-lhe a cabeça.
Entre irritada e lúgubre
A minha avó chorava
E sorria:
"Meu netinho, onde diacho
Meteu-se o meu velho?"
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Por compaixão a todos os deuses, não.
Nem ouses, poeta, de novo tal loucura.
Foge, rapaz, dos teus delirantes sonhos.
Conheço um barzinho
Entre os arrebóis
Noturnos.
Beberás até amanhecer
E hás de tirar do teu coração
Esse suspiro com ares de inocência.
Sabemos da fragilidade
De tuas costelas.
Conheço uma capela com uma imagem linda
De uma santa forte dos teus antepassados.
Rezarás até amanhecer
E hás de romper do teu coração
Esse olhar bambo, trêmulo, tímido.
Nem ouses, poeta, de novo tal loucura.
Foge, rapaz, dos teus delirantes sonhos.
Conheço um barzinho
Entre os arrebóis
Noturnos.
Beberás até amanhecer
E hás de tirar do teu coração
Esse suspiro com ares de inocência.
Sabemos da fragilidade
De tuas costelas.
Conheço uma capela com uma imagem linda
De uma santa forte dos teus antepassados.
Rezarás até amanhecer
E hás de romper do teu coração
Esse olhar bambo, trêmulo, tímido.
domingo, 14 de junho de 2015
Em uma manhã de domingo
Sob chuvinha fina, meu filho
Largadão na cama com os pés
Batendo na parede, os passarinhos
Com seus guarda-chuvas das folhas
De oiti dando pulinhos e reclamando da vida
Impossível, impossível não ser o eleito de meu deus.
Mesmo assim, não perco minha rebeldia
E jogo pela janela carocinhos de laranja.
Sob chuvinha fina, meu filho
Largadão na cama com os pés
Batendo na parede, os passarinhos
Com seus guarda-chuvas das folhas
De oiti dando pulinhos e reclamando da vida
Impossível, impossível não ser o eleito de meu deus.
Mesmo assim, não perco minha rebeldia
E jogo pela janela carocinhos de laranja.
sábado, 13 de junho de 2015
O que seria de você
Se eu fugisse.
Abrisse aquela porta
Pra comprar pães
E não voltasse.
A qual andarilho você doaria
O meu fígado de Prometeu
E minha caixa de Pandora?
Você não teria mais as minhas mãos
Pra dar tiros no escuro nem meus suspiros
Dentro de garrafas de vinho em noites loucas.
A qual fantasma você ofereceria meus medos tolos,
Minha insônia ridícula e a minha libido exuberante?
Sua sorte que apostei meu coração
Nesse negócio de poesia.
Uma fortuna
Incalculável.
Se eu fugisse.
Abrisse aquela porta
Pra comprar pães
E não voltasse.
A qual andarilho você doaria
O meu fígado de Prometeu
E minha caixa de Pandora?
Você não teria mais as minhas mãos
Pra dar tiros no escuro nem meus suspiros
Dentro de garrafas de vinho em noites loucas.
A qual fantasma você ofereceria meus medos tolos,
Minha insônia ridícula e a minha libido exuberante?
Sua sorte que apostei meu coração
Nesse negócio de poesia.
Uma fortuna
Incalculável.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
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