Depois de uma xícara de café com leite
(Bem quente) caminho até a janela
Pra ver andorinhas ajeitando-se
Entre os galhos das oitis.
Pode ser que o vento frio
Bata no meu rosto e torça
Meu riso pro lado esquerdo.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Os sonhos são tambores
Que ruflam as batidas
Do coração.
[Várias caixinhas de presente
Que guardam nossos suspiros]
E às vezes, a surpresa é
De uma alegria indescritível.
E sequer uma vírgula sonhada
Foi igual (há quem chame de magia)
Uma flor não cai sobre a cabeça
De quem sonha sem que ela
Não a mereça.
Que ruflam as batidas
Do coração.
[Várias caixinhas de presente
Que guardam nossos suspiros]
E às vezes, a surpresa é
De uma alegria indescritível.
E sequer uma vírgula sonhada
Foi igual (há quem chame de magia)
Uma flor não cai sobre a cabeça
De quem sonha sem que ela
Não a mereça.
Éramos felizes,
Lembras?
A casa morria
De inveja.
E quando passeava
De rosto liso e jovem
O mundo explodia e secava
De infernal e tresloucado ciúme.
Confesso que te amava ainda mais,
Bem mais, muito mais quando tu
Tiravas sangue do canto dos
Meus lábios.
Sei que tu entravas em transe
Ao lamber tua lâmina e sorrir.
Mas eis que é hora da viagem.
Serei monge e a barba crescerá
Até bater no chão e varrer a calçada.
Adeus, meu barbeador.
Cuida-te e vê se não
Te enferrujas à toa
Por aí.
Lembras?
A casa morria
De inveja.
E quando passeava
De rosto liso e jovem
O mundo explodia e secava
De infernal e tresloucado ciúme.
Confesso que te amava ainda mais,
Bem mais, muito mais quando tu
Tiravas sangue do canto dos
Meus lábios.
Sei que tu entravas em transe
Ao lamber tua lâmina e sorrir.
Mas eis que é hora da viagem.
Serei monge e a barba crescerá
Até bater no chão e varrer a calçada.
Adeus, meu barbeador.
Cuida-te e vê se não
Te enferrujas à toa
Por aí.
domingo, 19 de abril de 2015
As tartarugas em terra firme
Ou no fundo do mar não mudam
Aquele olhar distante - indiferente
Ao tempo e à metafísica das coisas.
As tartarugas foram os primeiros filósofos
Que sacaram que melancolia não é tristeza.
E para viver mais de cem anos
Basta não enlouquecer o passado
Comer folhas, moluscos, plânctons.
"A pressa é mãe
Do incêndio."
Brincam
Entre elas.
Desde quando amo as tartarugas?
Desde Galápagos, creio, só agora
Derrama-se esse amor encantado.
Ou no fundo do mar não mudam
Aquele olhar distante - indiferente
Ao tempo e à metafísica das coisas.
As tartarugas foram os primeiros filósofos
Que sacaram que melancolia não é tristeza.
E para viver mais de cem anos
Basta não enlouquecer o passado
Comer folhas, moluscos, plânctons.
"A pressa é mãe
Do incêndio."
Brincam
Entre elas.
Desde quando amo as tartarugas?
Desde Galápagos, creio, só agora
Derrama-se esse amor encantado.
sábado, 18 de abril de 2015
Conheça como caminha o seu coração pelo seu corpo.
Quais as sensações que o fazem queimar de coragem.
Se forem sensações rasteiras de crápula não conceda.
O crescimento humano do poeta é seguir seu coração.
Saber distinguir sua canalhice como membro do reino
Do seu caráter poético assustador que o leva ao vazio.
Não há salvação em minhas mãos na hora da escrita.
Mas reconheço que em outro mundo palavras vivem.
Vivem como palavras, embora não gostem do nome.
As palavras (entre elas) são pessoas de carne e ossos.
Quais as sensações que o fazem queimar de coragem.
Se forem sensações rasteiras de crápula não conceda.
O crescimento humano do poeta é seguir seu coração.
Saber distinguir sua canalhice como membro do reino
Do seu caráter poético assustador que o leva ao vazio.
Não há salvação em minhas mãos na hora da escrita.
Mas reconheço que em outro mundo palavras vivem.
Vivem como palavras, embora não gostem do nome.
As palavras (entre elas) são pessoas de carne e ossos.
Quando um facho de fogo
Cair das suas mãos, não
Pegue, só afaste os pés
Pra não se queimar.
O impulso de sobrevivência
É patético para quem observa
Do alto sem delicadeza alguma.
O meu deus ao gargalhar
Dá-me vontade de prender-lhe
A barba dentro de um garrafão de vinho.
E lançar em alto mar
O meu poema de náufrago.
Cair das suas mãos, não
Pegue, só afaste os pés
Pra não se queimar.
O impulso de sobrevivência
É patético para quem observa
Do alto sem delicadeza alguma.
O meu deus ao gargalhar
Dá-me vontade de prender-lhe
A barba dentro de um garrafão de vinho.
E lançar em alto mar
O meu poema de náufrago.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Papiloscopista
Consertar um poema
Alegra-nos tanto que
Tirei a noite pra dar
Pilha aos objetos
De casa.
Vou pôr o relógio de parede
Sobre a mesa redonda de vidro.
Examinarei em minúcias
As pequenas peças
Que hipnotizam
Moscas.
Depois farei um poema
Comovido pelo vazio da sala.
Alegra-nos tanto que
Tirei a noite pra dar
Pilha aos objetos
De casa.
Vou pôr o relógio de parede
Sobre a mesa redonda de vidro.
Examinarei em minúcias
As pequenas peças
Que hipnotizam
Moscas.
Depois farei um poema
Comovido pelo vazio da sala.
Quando digo que passarinhos
Soltos que não se deixam iludir
Chegam à minha janela, acredite.
Ontem, na varanda, um assustou
A minha testemunha com seu
"Boa tarde, poeta!"
E até demorou mais do que de costume
Esperando que registrassem sua presença.
E a testemunha
Supôs aquela onda
Efeito do meu café.
Soltos que não se deixam iludir
Chegam à minha janela, acredite.
Ontem, na varanda, um assustou
A minha testemunha com seu
"Boa tarde, poeta!"
E até demorou mais do que de costume
Esperando que registrassem sua presença.
E a testemunha
Supôs aquela onda
Efeito do meu café.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Não quero ninguém para mim.
Por que haveria de querer alguém para mim?
Que loucura é essa de querer uma pessoa para mim?
Que a pessoa seja dela própria e a ela somente pertença.
Posso ser um parceiro atuante em seus múltiplos orgasmos,
Um convidado espirituoso aos saraus de sábado, um gentleman
Aos passeios bucólicos de domingo com o sol no rosto e por toda
A semana um ótimo, atento e risonho aluno às aulas da sua lógica abstrata.
Até que um dia
Ela se canse da minha companhia
Diga chega e fuja feliz levando meu mundo.
Aliás, nem precisa fugir.
Basta perguntar se a chave
Ainda está na fechadura da porta.
Por que haveria de querer alguém para mim?
Que loucura é essa de querer uma pessoa para mim?
Que a pessoa seja dela própria e a ela somente pertença.
Posso ser um parceiro atuante em seus múltiplos orgasmos,
Um convidado espirituoso aos saraus de sábado, um gentleman
Aos passeios bucólicos de domingo com o sol no rosto e por toda
A semana um ótimo, atento e risonho aluno às aulas da sua lógica abstrata.
Até que um dia
Ela se canse da minha companhia
Diga chega e fuja feliz levando meu mundo.
Aliás, nem precisa fugir.
Basta perguntar se a chave
Ainda está na fechadura da porta.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Enquanto o mundo estiver cansado das suas vidas
Estarei fazendo fogo com os gravetos bifurcados
Das linhas das palmas das minhas mãos.
Não há cansaço
Em iluminar o abismo
Acima do carvão da terra.
Das estrelas pode ser o encanto
Uma ilusão de ótica espacial
Mas não de espírito.
Quem morre
Não brilha
Tanto
Assim.
Um dia, a minha tosse
E os parafusos soltos
Da minha cabeça
Hão de perder o sagrado
E só haverá sentido
O fogo do carvão
Da terra.
Estarei fazendo fogo com os gravetos bifurcados
Das linhas das palmas das minhas mãos.
Não há cansaço
Em iluminar o abismo
Acima do carvão da terra.
Das estrelas pode ser o encanto
Uma ilusão de ótica espacial
Mas não de espírito.
Quem morre
Não brilha
Tanto
Assim.
Um dia, a minha tosse
E os parafusos soltos
Da minha cabeça
Hão de perder o sagrado
E só haverá sentido
O fogo do carvão
Da terra.
terça-feira, 14 de abril de 2015
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