sábado, 11 de fevereiro de 2012

tumulto

Não pouparei sangue dos dedos
até que seja escrito o último verso.

Não me venhas então com candura
sossego de espírito e calmaria no andar.

Meu coração é tão somente artérias
entupidas de delírios e estupidez.

Não me peças então paciência
placidez e olhar cristalino.

Minha alma é puro ciúme
do invisível que lambe
do inexprimível
que toca.

Não pouparei cálices de lágrimas
até que seja lançado ao fogo
o último verso.

Porque nunca fui calmo e consciente
e todo o meu pavor é reduzido à loucura.

Meus braços não temem as ondas
nem as noites de relâmpagos
que me queimam.

Não me digas então
que amanhã será outro dia.

Não há mudança no sangue das veias
de quem conviveu com a própria morte.

E esta dor é morte -
infame, deliciosa,
mas morte.

4 comentários:

  1. no tumulto do que nos habita, nos (re)criamos

    belo, Domingos!

    beijos

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  2. ah... aí tem entranhas em guerra.
    unhas que cresceram afiadas, num ápice e dentes com raiva e sangue.

    adorei!
    és mesmo um poeta enorme!

    beijo.

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  3. morte é pura transformação.
    Tenha um lindo final de semana.
    PS. me diga se recebeu a revista Mostra Plural, esta segunda edição.

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